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  • Malu Leitão

Você domina a arte de ser o burro da mesa? Reflexões sobre o processo de aprendizagem.



Em algum lugar ouvi que para você aprender de verdade, se desenvolver como ser humano, se desafiar, você precisa ser, frequentemente, o “burro da mesa”.


Mas para haver alguma vantagem em ser o burro da mesa, você não pode se adaptar á realidade amarga de ser ‘o mais burro’. Mas sim, entender que, dentre a maioria dos que circulam ao seu redor, você é o menos preparado, o menos experiente, o menos conhecedor, o menos treinado, e que justamente essa realidade o projetará acima.


Ser o burro da mesa não é se punir por não saber. Também não é se acomodar na ignorância. Ser o burro da mesa é estar disponível para aprender. Ou seja, disposto a viabilizar esse processo de aprendizagem. Estar consciente de que aprender, as vezes dói e frequentemente, se não sempre, exige esforço.



Todos temos um muro que vai do chão até a altura dos nossos olhos. Cercar-se de pessoas que sabem mais que nós é ter a oportunidade de escutar “olha só, tem um mundo aí na frente que você não tá conseguindo ver”.


Ser o burro da mesa nos permite estar consciente do universo que ignoramos absolutamente. Ser o burro da mesa é entender que para enxergar por cima desse muro, é preciso elevar o nosso olhar para além dele. E para isso, naturalmente, necessário ficar na ponta dos pés.


Fique na ponta dos pés por 10 minutos. Fique por uma hora. Fique um dia inteiro.

Se o aprendizado não te exigir esforço, mesmo que mínimo, talvez ele não seja algo realmente aprendido, mas sim aprimorado. Algo que já era seu e que agora, se projetou de forma diferente.


Aprender requer humildade para lidar com a sensação de olhar abismado para o universo diante dos olhos. Universo esse, que a gente simplesmente ignorava.

A sensação de “meu Deus, isso é absurdamente desconhecido pra mim!”.

Aprender requer saber ser vulnerável para acolher que, em um momento, não vemos nada, depois vemos um pouquinho mais, depois mais, até que é necessário, novamente, ficar na ponta dos pés e por aí vai... Nunca para. Nunca acaba.


Ouço pessoas dizerem que gostam de aprender. Mas o fato é, que muitos gostam de saber. Gostar de saber é diferente de gostar de aprender. Gostar de aprender é gostar do processo e naturalmente, gostar de ser o burro da mesa.

Claro que é agradável circular com ar professoral nos sistemas em que tudo o que falamos e sabemos é novo aos ouvidos curiosos e admirados dos expectadores.



Claro que é gratificante, mas cuidado.

Viciar-se nessa atmosfera de conforto emocional e cognitivo pode facilmente fazer um ‘aprendedor potencial’ atrofiar suas possibilidades de saber. E olhando para o que o mundo têm nos pedido, não precisamos de mais de experts de sabedoria flácida, mas sim de aprendedores que dominam a arte de ser o burro da mesa.

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