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  • Malu Leitão

Sou bem mais feliz quando apenas “soul”

Para quem está tentando ser produtivo/criativo/executor na pandemia.


Quem não está tentando se manter produtivo/criativo sem sucesso nessa pandemia está por fora! Quem não está se sentindo exausto, confuso e impotente, também!


Uma vez durante um curso de ioga, ouvi a seguinte frase “é nos espaços vazios do corpo que a alma habita”... Essa frase me visita frequentemente e confesso que já interpretei ela de diversas maneiras.


Quem aí conhece esse quadro: viver se cobrando por produtividade / criatividade / energia ao mesmo tempo que tenta lembrar, a si mesmo que estamos passando por um momento incomum.


Tantas incertezas nos fazem perder a parca “segurança” que tínhamos (será que tínhamos?). Aquela ilusória, porém, confortável sensação de controle. Seguimos esperando de nós a mesma produtividade / criatividade / energia, que nesse momento, muito provavelmente não será possível. Essa expectativa, mesmo inconsciente, faz com que uma pressão interior desproporcional e desnecessária opere na nossa rotina.



Ela pode aparecer, não incomum, acompanhada de vitimização, auto sabotagem, auto cobrança, autocensura, mas o fato é que esse sentimento mais nos tira do caminho do que nos aproxima dele.

A produtividade (e por consequência a criatividade e a energia pra o trabalho) é impulsionada pelo ritmo e pelo sentimento de fazer o que deve ser feito. Quanto mais tarefas eu tenho pra realizar, mais eu tenho um senso interior que me impulsiona a realizar. Quanto mais próximos os prazos para as entregas, mais acelerado o meu ritmo de execução. O que, muitas vezes falta, é a clareza sobre o que nos faz sentir produtivos, o que nos faz sentir criativos, qual é o “remedinho” que fará minha consciência ficar leve, mesmo em meio ao caos, entendendo que estou “quite” comigo mesmo e com minhas entregas.


Esse remedinho, no meu entendimento, vem do que vou chamar de “exercício da essência”. Ser fiel ao exercício da essência é uma tarefa difícil, mas necessária, principalmente em momentos onde a pressão interior nos dói. Nos apegamos facilmente ao que nos “auto comprometemos” ou nos “auto intitulamos” de maneira geral, esquecendo de fazer o recorte situacional.



Assim se somos arquitetos temos que projetar, se somos designers temos que criar, se somos administradores temos que ter todos os controles em dia, se somos empreendedores temos que prosperar, se somos líderes temos que ser exemplo, se somos psicólogos, não podemos nos desestabilizar, se somos geradores de conteúdo, temos que ter engajamento, se somos influenciadores temos que ganhar seguidores... Como se as condições fossem de laboratório, controladas, sem intercorrências, sem abalos.


Esse condicionamento nos tira da essência, nos afasta da alma e nos distancia do objetivo, pois abre a porta para o estresse, a ansiedade, a frustração.

Tá aí um daqueles contrassensos malucos que a gente cai com muita facilidade...


É nesse ponto que entram os tais dos espaços vazios... lembra lá do início do texto, aquela frase da aula de ioga que você achou que não tinha nada a ver com o pastel?



Abrir espaços vazios, é suspender, por alguns instantes, nossos “deveres” e olhar nossa condição atual: há possibilidade de fazer tudo que eu quero fazer? O que nesse “tudo” vai realmente me fazer sentir produtivo? O que nesse “tudo” pode ser deixado pra depois (ou pra lá!)? Qual o status da minha criatividade hoje? Preciso ser genial ou posso simplesmente ser? O que eu chamo de criativo está no mesmo patamar do que o meu cliente/público está considerando ou eu estou querendo ser o novo Picasso? Essa energia de execução que eu me cobro ter, ela é minha ou é de alguém com a qual me comparo? Ela é realmente vital, ou posso apenas “tocar” as tarefas no meu ritmo possível? Essa complexidade toda, onde posso simplificar?


Quando abro esses espaços vazios, permito que a condução consciente da minha rotina se reestabeleça, faço as pazes com o meu ritmo e com a minha autenticidade.

Parece bobo, mas não é, é sutil. Esse instante de racionalidade me devolve o sentimento de condução da própria vida, de individualidade respeitada, ou seja, a condição necessária para eu operar em estado de “fluxo”. Aí sim, a alma pode “habitar” e você pode interpretar como quiser, deixo aqui algumas sugestões: plenitude, aceitação, autocompaixão, autenticidade.



Então, querido coleguinha pandêmico, o exercício da essência, uma ou várias vezes ao dia, talvez seja a tarefa mais importante, mais até do que qualquer item do nosso interminável check-list. Bora tomar esse remedinho?


Ah, não podemos esquecer, passando a pandemia, o imprevisível segue aí, operando maroto na nossa vida, então, mesmo depois que o isolamento não for mais necessário a gente possa se encher de segurança pra planejar um cronograma [sic], ainda sim essa receitinha não prescreve, tá? Pode tomar sem contraindicação.

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