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  • francielledc

O tempo que não temos pelas escolhas que (não) fizemos



“Eu não tenho tempo". "Eu precisava muito mais que 24 horas”. Talvez estas frases sejam algumas das que mais ouvimos ou emitimos. Quando dizemos que "não temos", acabamos reconhecendo que o tempo não nos pertence, que ele não está em nossas mãos. Quando ele não está em nossas mãos, não temos poder sobre ele, ficamos inertes, reféns de "só 24 horas" por dia.


Quem sabe precisamos nos perguntar: O que eu tenho feito com o meu tempo? Mas como pensar em administrar o tempo, sem antes indagar-se: O que eu quero para os meus dias?


Antes de buscar qualquer ferramenta, app, planner ou algo que nos ajude a preencher, preencher, checar, checar e encher os nossos espaços da vida, é necessário pensar o que eu quero para essa vida. O que faz sentido para mim? Minhas ações realmente vão ao encontro de quem eu quero ser?



Talvez a agenda lotada tenha mais relação com a necessidade de sentir-se ocupado, logo, importante. Porque a nossa cultura e sociedade valoriza pessoas ocupadas, "que produzem" incansavelmente, estas são consideradas fortes e relevantes. No entanto, este é um equívoco, pois, manter-se ocupado, nem sempre é o mesmo que estar sendo eficaz e produtivo.


Eu posso estar fazendo muitas coisas que geram um mínimo de resultado, ou posso fazer as coisas que precisam ser feitas e assim atingir o melhor resultado. O Princípio de Pareto já nos explica isso, 80/20, ou seja, 20% do que eu faço é responsável por 80% do resultado que eu obtenho.



E o que gera os meus 80% de "fazer, fazer e fazer"? Uma hipótese, pode ser a de que me mantenho ocupado, para não pensar sobre mim, minha vida e as relações que estabeleço, e assim, prejudico minha autoanálise, autocrítica e vou levando a vida, reclamando do tempo, é claro.


Também é produto da nossa cultura, enaltecer um "super homem ou uma super mulher". Dar conta de tudo (ter que), nem sempre é sinônimo de força, e pode ter relação direta com falta de autocuidado, dificuldade de confiar no outro, medo de não ser visto e, logo, ser deixado de lado.

Ter que ser um "herói", pode estar à serviço de alimentar uma necessidade minha (consciente ou inconsciente), não sendo, na maioria das vezes, uma necessidade real, existente no meio aonde eu estou inserido.


Fazer a gestão do tempo vai ao encontro das escolhas que fizemos diariamente. A escolha gera compromisso, e quantas escolhas fizemos, já sabendo que não daremos conta e que depois vamos dizer: é que o prazo ficou apertado! E então, novamente, jogamos a responsabilidade para o "coitado do tempo".


Quando falamos em escolhas, não relacionamos somente com fazer o que me convém ou o que eu quero. Escolha tem relação com como escolhemos nos posicionar, como escolhemos encarar as nossas rotinas, como escolhemos dar feedback ao outro. Escolher ganhar, mas escolher o que eu também vou perder com uma decisão de empreender um projeto. Escolher me posicionar na carreira e não acompanhar de perto o filho crescer.




Então, gerir as 24 horas, tem mais relação com revisitar os nossos desejos reais, do que necessariamente com o uso de ferramentas, que ajudam e facilitam consideravelmente o nosso dia. Nós podemos apenas cumprir tarefas e dar check nas atividades, ou, estar sentindo o progresso e o senso de realização das coisas que genuinamente nos propomos a fazer. "Temos que priorizar", esta é uma frase comum e pronta, talvez porque todos saibam que é necessário. Mas para além disso, será que conseguimos compreender o porquê priorizamos algumas coisas e não outras?


Isso fala sobre o meu foco, mas também sobre o quanto eu estou conseguindo seguir um caminho com sentido e propósito. Fazer a gestão do tempo, também é, como diz Christian Barbosa, no livro "A tríade do tempo", elencar o que pra mim é Urgente, Importante e Circunstancial, mas principalmente entender porque as minhas ações encontram-se em cada um desses quadrantes.

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