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  • Francielle De Cezaro

O mundo que chegou para nós



“Mas eu nunca fiz isso! Eu não tenho essa habilidade”.

Bem, é chegada a hora de entender o que significa a expressão “mente aberta” de fato, e não é uma questão de querer ou não querer, é uma questão de evolução de todo um ecossistema que fazemos parte. Então, ou eu decido ir ou decido ser arrastado e aceito pagar o preço por isso.


É muito comum ficarmos presos no nosso local seguro e conhecido, mesmo quando não faz mais sentido. “Eu sou assim, sempre fui assim”, encarar e viver a mudança é um deslocamento, antes de mais nada, da gente mesmo. Porque fazer e viver algo novo é deixar para trás o que eu fazia até então, e que não era errado, era o que servia para aquele determinado período, momento da nossa vida. Era o melhor que pudemos fazer e não é preciso desqualificar a história que vivemos, ao contrário, é preciso honrar e aprender com o que passou. No mundo do trabalho, temos a presença de muitas crenças que trazem resultado, mas que se nos colocássemos a repensar e agíssemos de outra forma, talvez nos trariam ainda mais, não só resultado, mas sentido.


Por isso, trago um estudo recente, é o Relatório das competências do futuro, para os próximos 10 anos (Future Work Skills 2020). Foi lançado após uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa da Universidade de Phoenix I FTF, o que nos traz uma nova forma de pensar o trabalho e as pessoas que se envolvem nele. Mas antes de começar é preciso dizer: a previsibilidade é, às vezes, a espera do “príncipe no cavalo branco”, chega o cavalo e não o príncipe, então vamos olhar de forma a compreender o cenário que está se formando e procurando entender, não o que está por vir, mas o que já está aqui conosco.



Este relatório fala de habilidades e comportamentos, e está dividido em seis “drives de mudança “.

O primeiro drive é a longevidade extrema, as pessoas ficarão por mais tempo nos locais de trabalho e isso muda a forma como enxergamos alguém que tem 60 anos em uma equipe. Como os problemas serão resolvidos com alguém que já passou por muitas experiências? Como se dará a relação avós e netos, que já não terão todo aquele tempo disponível?

Antes se criava o “Programa de preparação para aposentadoria” e agora seria o “Programa de inclusão para aposentados? ” Ou isso vai ser tão natural e institucionalizado que não vai precisar nada disso e, eles estarão ali produzindo, colaborando e construindo como todos os outros?


O segundo drive diz respeito a ascensão das máquinas e sistemas inteligentes, aquela máxima de Henry Ford: “Queremos braços e pernas, pena que a cabeça vem junto”, definitivamente sai de cena e dá espaço para pessoas que pensam, criticam, se colocam. As pessoas, de fato, passam a existir e não somente a reproduzir comportamentos mecânicos e alienantes. Mas como isso fica na prática, será que teremos espaço para pessoas que não se conformam com as coisas? E quando alguém para de baixar a cabeça, e passa a questionar: Porque tem que ser feito desta forma? Como lidaremos com isso?


O terceiro drive é o mundo computacional que, pelo aumento massivo de sensores, levantamento e processamento de dados fazem com que o mundo seja um sistema programável. O que não é programável? As emoções, o sentir, as relações que tecemos, as percepções que muitas vezes são determinantes na maneira como iremos conduzir uma situação. Qualidade de presença, escuta ativa, coração e mente abertos é com o humano, deixaremos sim de fazer muitas coisas, mas teremos que nos empenhar em estar dispostos a outras tantas, muito mais significativas.




O quarto drive é a nova ecologia de mídia. As novas ferramentas de comunicação exigem novos formatos. As reuniões não esperam mais o Diretor voltar da unidade na China, as decisões não se restringem mais a trocas locais e setorizadas, pois hoje, aonde eu estiver posso participar de uma troca. Mas o que isso implica? Precisaremos aprender a lidar cada vez mais com diferentes pontos de vista? Ou também, que não teremos um “refúgio”, um jeito de fazer uma “fuga programada”? Fugir da responsabilidade ou fugir para sobreviver? Bom, já é assunto para outro texto.


Mas, a questão é que começamos a nos dar conta que, remoto ou presencial, este último ainda não é a melhor palavra, porque podemos estar presentes, estando fisicamente distantes. Também estamos aprendendo que relacionamento é relacionamento, independente da forma como se dá. Certo ou errado? Melhor ou pior? Não sabemos, sabemos que é diferente, e antes de julgar, é preciso provar, analisar, tentar de novo, aprender e repetir tudo outra vez. A gente vai encontrando o jeito, talvez não o certo, mas o nosso jeito.


O quinto drive são as organizações mais conectadas e mais sociais. Surgem novas tecnologias e plataformas mais colaborativas, isso define muito de como criamos e distribuímos valor. Não é preciso esperar a convenção da firma uma vez ao ano, para que se converse, para que se oportunize um momento de troca. Eu preciso de ajuda? Posso buscá-la, agora. Mas será que teremos pessoas dispostas a colaborar? A abrir os pensamentos, ideias e construções? E a gente achava que esse mundo estava ficando mais tecnológico e menos humano.


O sexto e último drive é o mundo globalmente conectado. Estamos vivendo um momento de hiperconectividade, o que por um lado, nos causa ansiedade e a sensação de que estamos sempre atrasados. Minutos sem o celular, já parece que estamos fora do mundo, mas por outro lado, nos facilita trocas, nos mune de informações, estas que necessitam de uma curadoria, claro, mas também nos dá a possibilidade de fazermos escolhas mais conscientes e, também nos abre a possibilidade de nos reconhecermos de forma diferente da nossa cultura, da localidade onde vivemos, nos dá força e muitas vezes até coragem para assumir e ser quem queremos ser.




A partir destes seis drives, foram listadas 10 habilidades, que vão desde ver o sentido das coisas, passa por inteligência social, pensamento adaptativo, competência transcultural, pensamento computacional, nova literacia da mídia, transdisciplinaridade, design mindset, gerenciamento de carga cognitiva, até colaboração virtual.


Face às informações levantadas por este estudo da Universidade de Phoenix, algumas competências ecoam aqui, como protagonismo, autogestão, autoliderança, ou seja: você no centro da sua caminhada, você como propulsor do que espera viver.


E, quando muitos acham que a realidade que estamos vivendo hoje tem mais haver com desconectar pessoas, ledo engano, hoje, amanhã e sempre precisaremos da conexão para viver, somos seres gregários, racionais e emocionais, como nenhuma outra espécie, e teremos sim, que acreditar e buscar outras formas de “encontrar pessoas”.

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