Buscar
  • francielledc

Feedback ou Intenção? Uma técnica é só uma técnica diante da genuína intenção


O feedback sem dúvida é uma das ferramentas mais eficientes no ambiente organizacional e não só nele, na vida como um todo. Você conseguir retornar ao outro, as suas percepções e sentimentos, em relação as situações que acontecem, pode mudar o curso de uma história e de uma relação. Mas isso não é uma tarefa fácil não, até porque nem sempre se tem clareza do que de fato é um feedback saudável, respeitoso e capaz de gerar uma troca importante e significativa.


O feedback possui dois principais objetivos, que são: reforçar comportamentos positivos e sinalizar comportamentos a serem desenvolvidos. Bem, também é preciso reforçar que nenhum “passo a passo” bem estruturado, dará conta de garantir que o processo de feedback seja bem sucedido.



Antes de mais nada, quero compartilhar um momento de supervisão com um professor de Psicologia, chamado Ântonio Carlos de Lima, quando foi questionado: Como vou dizer algo tão difícil para essa paciente? Ele respondeu: Usando a verdade, só isso. Parece óbvio, mas ser verdadeiro vai possibilitar o primeiro e grande passo em direção a construção de uma relação de confiança. E ser verdadeiro, não necessariamente é ser duro, se utilizar de julgamento e de um único ponto de vista (geralmente o meu). Ser verdadeiro aqui, em primeiro lugar, é se conectar com os meus reais sentimentos e necessidades para então se conectar com o outro. Em segundo lugar, quando se pensa em fornecer um feedback pergunte-se: Qual a minha intenção genuína em fazê-lo? O que dissemos tem um impacto mínimo diante das nossas reais intenções, de como queremos atingir o outro.


Nos desenvolvimentos de liderança que coordeno, é comum ouvir: “Eu não forneço feedback, porque o outro não recebe bem”. Com esta afirmação, não estamos assumindo nossa autorreponsabilidade, ou seja, a dificuldade não é minha, é do outro e, se é do outro nada tenho a fazer. Será que eu não promovo um momento de feedback porque na verdade sou eu que tenho medo de não saber lidar com a possível não aceitação do outro?



Nós podemos até evoluir nas técnicas, que nos ajudarão a exercitar essa ferramenta com mais eficiência, mas garantir a previsibilidade do comportamento do outro é algo que não acontece na prática.


Quem sabe, a nossa cultura, venha na contramão de nos ajudar a ter momentos produtivos de feedback, já que na maioria das vezes, pensamos que, somente quando o outro fica totalmente confortável com o que eu falo, significa que fui bem nesse processo. No entanto, nem sempre é assim que acontece e, será que não é nesse ponto que pode-se originar uma oportunidade de melhoria? As mudanças que muitas vezes são necessárias surgem de inquietações e insatisfações que temos a respeito de nós mesmos e, o feedback pode ser uma mola propulsora para muitas mudanças de rota.


Também é comum ouvir: “Eu já dei feedback e foi pior”. Talvez porque o feedback seja mais um momento de encontro, do que necessariamente um disparo de percepções, sem o trabalho de se colocar no lugar do outro verdadeiramente. Feedback é um momento de escuta, sem julgamentos, no entanto, quantas vezes ficamos tentando prever o que o outro vai dizer e, não estamos de fato dispostos a ouvir, para juntos construir uma nova possível realidade? Queremos falar para ajudar ou para nos aliviar, ou então, nos livrar?

“Eu falei”. Mas escutou? Percebeu? Quantos sinais alguém que senta a nossa frente pode nos dar, mesmo sem ter falado uma palavra? O próprio silêncio já diz muito, desde que eu esteja disposto a reconhecer e trazer para a conversa, tocar nesses pontos para entender, pensar e fazer o outro refletir. Qual é a intenção desse encontro? Acusatória, defensiva, rechatória, ou de fato ajudar o outro.




É muito comum também, que os momentos de feedback sejam palco de muitos conselhos, estes que na maioria das vezes, são entendidos e até admirados, mas de fato não funcionam na prática.

Promover um momento de feedback é acolher a si e ao outro e, nesse momento oportunizar um lugar seguro para uma troca franca e branca.

49 visualizações0 comentário
  • LinkedIn - Black Circle
  • Instagram - Black Circle
  • Facebook - Black Circle