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  • francielledc

Eu nunca vi o RH: Uma experiência na sede do Google



Em 2019, eu e os sócios da Gestora, fomos conhecer o berço da inovação no mundo, o Vale do Silício, na Califórnia. Com isso, o momento tão esperado, a visita à sede do Google em Mountain View, chegou.


Muitas questões chamaram a atenção. A cultura do compartilhamento e apoio mútuo, a diversidade na veia, o compromisso, a forma simples de tratar o que de fato é simples. Lembro da quadra de vôlei de areia e as pessoas que jogavam lá, em pleno horário de trabalho, mas que de alguma forma garantiam a entrega do resultado e faziam a diferença naquele lugar, sem ninguém se quer questionar ou estranhar o que estavam fazendo.

O colaborador que nos recebeu, nos contou sobre muitas coisas, nos apresentou a estrutura, nos falou a respeito da cultura e até os bastidores dessa potência.


Este texto é um convite para refletir sobre o papel da área de Gente e Gestão das organizações. Não trago parâmetros, muito menos as respostas, mas sim as perguntas que podem levar, de alguma forma, à inquietação e então à possibilidade de mudar um ponto de vista, e isso, já é muito. Por anos, atuei diretamente neste setor, então me sinto parte, dos questionamentos e também das muitas contradições.


O anfitrião, nos mostrava como as coisas aconteciam no Google, e no almoço perguntei:

Então, aonde fica o RH? A resposta veio rapidamente e quase com um tom de obviedade: Eu nunca vi o RH! Por alguns segundos pensei: eu venho até o Vale, conheço “O Google” e não vou ouvir falar da área de RH? Após alguns segundos de frustração, despertei para refletir e entender o que faria muita diferença na maneira como enxergava o papel desta área e quero compartilhar com vocês. Será que o RH deve estar em um "lugar em específico"? Ou ele precisa estar permeando a organização como um todo? Queremos um espaço para chamar de nosso e sermos vistos ou queremos de fato contribuir com o negócio, entregar valor, fazer a diferença?


Eu já me peguei dizendo: "O RH não é valorizado". Enquanto partirmos da visão de que as pessoas valorizam as coisas que constroem, para então sentir-se parte, pergunto: Os colaboradores percebem que atrair, reter e desenvolver também é parte deles? E era sobre isso que o nosso anfitrião no Google nos contava: "Aqui, quando um colaborador não está desempenhando as suas atividades da maneira esperada pela empresa, antes de mais nada são os colegas que se empenham em ajudá-lo. Da mesma forma quando ingressa um novo colaborador, o processo de Onboarding, em boa parte, é feito pelos colegas de setor, que acolhem, treinam, mostram como as coisas funcionam".


Pensei, será que gritamos tanto: "O plano de carreira que nós fizemos", mas e se quem de fato deveria se interessar e protagonizar o seu próprio plano plano de carreira não se interessa em fazê-lo? E ao invés de olhar para isso e compreender na integralidade, aonde o ser humano é visto como plenamente capaz de agregar ao grupo que faz parte, simplesmente incluímos no plano anual de desenvolvimento mais uma soft skill a ser desenvolvida, o protagonismo.


Está na pauta da área criar procedimentos, fichas, programas, controles que "garantam" que as pessoas estejam engajadas a entregar o seu melhor? (Só porque a empresa vizinha fez e deu certo) ou entende-se que uma empresa é um organismo vivo, dinâmico, e mais do que processos fadados ao fracasso, mesmo antes de serem implementados, o RH precisa promover um ambiente seguro e aberto, estar sensível a perceber a necessidade que o cerca e ir a este encontro. Será que é levantar uma bandeira, defender um ponto de vista ou descobrir juntos um novo lugar, para de lá enxergar novas possibilidades?


A área tem indicadores que são capazes de medir um desempenho, mas quando falamos em RH, é inevitável que a subjetividade seja inerente e o quanto estamos dispostos a olhar para o não quantificável e, entender o que ele fala sobre a condução do processo. Se o que está acontecendo tem coerência, faz sentido ou estamos nos conformando em contabilizar o aprendizado ainda pelas horas computadas de treinamento e desenvolvimento?



Enquanto estivermos preocupados em comandar e controlar, estaremos perdendo a oportunidade de possibilitar aos colaboradores descobrirem, não o que é protagonismo, mas como é protagonizar.


O fato de não ter conhecido o RH do Google não me fez saber menos do que acontecia com as pessoas por lá, pelo simples fato de todos sentirem-se responsáveis por si e também pelos colegas, o RH está institucionalizado e sim ele existe, mas talvez com outro papel, o de parceria e não cobrança, consultivo, preventivo, com foco nas soluções e não atividades.


Agregando tecnologia e não investindo o precioso tempo em questões mecânicas, olhando para a cultura e sendo um agente de transformação, facilitando os espaços de conversas e trocas significativas e, sem dúvidas, percebendo que os processos de gente não são do RH, são das pessoas.

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