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  • francielledc

Desenvolvimento ou deslocamento? Ou os dois?



No meio empresarial, em especial, tenho escutado constantemente: "Precisamos desenvolver as pessoas", esse é o caminho. E por vezes atrelamos o fato de desenvolver ao de contratar uma empresa especializada tão somente. Sim, é importante, mas quando pensamos em elevar o nível de desempenho, ter um clima organizacional saudável e relações mais significativas precisamos entender o desenvolvimento como algo sistêmico, distribuído por todos os lugares da organização e também da vida do colaborador. É horizontal e flexível, ou seja, todo mundo tem a possibilidade de ensinar algo a alguém sem um "jeito certo" e linear.


Vejo o processo de desenvolvimento como uma esforço de deslocar-se a um outro ponto e viver a vida, pode ser uma experiência de aprendizado, se assim eu estiver disposto a enxergá-la.


Deslocar-se, vai além de ir de um ponto ao outro, é também descobrir um novo ângulo, uma nova perspectiva, uma nova possibilidade para uma mesma situação, e talvez o processo de mudança esteja muito relacionado a isso. Ter a sensação que, o que aprendemos, ecoou em diversos aspectos da nossa vida, só fortalece o desenvolvimento e o sentido que damos para o aprendizado.



Pensar que não estamos aprendendo, durante uma boa prosa com um gestor mais experiente que nos conta uma instigante história sobre como não fazer Gestão de Pessoas, ou então, durante o exercício da paternidade ou maternidade, e achar que isso nada tem a ver com influenciar e engajar pessoas? É no mínimo desconexo e distante, de acordo com o pensamento sistêmico, que percebe tudo inter-relacionado e interconectado.


Se eu aprendo a cuidar de um familiar doente, não tem como dizer que não aprendi algo sobre empatia. Se ao ser surpreendido por uma pandemia, não foi uma vivência intensiva para conseguir "abrir mão do controle" e confiar no fluxo, no mínimo, não estamos aproveitando essa caminhada, chamada vida. Bem, se nada disso fez sentido, talvez você não tenha entendido o real significado do desenvolvimento, ou então, não esteja olhando para o deslocamento que tem feito diariamente, e não tenha se apropriado desses aprendizados, que caem no seu colo, basta perceber.



Nós que trabalhamos com desenvolvimento humano, dizemos que criar autoconsciência é meio caminho andado, e que é difícil fazer isso entre quatro paredes de uma sala de desenvolvimento somente. A metodologia 70, 20, 10 já ancora essa visão, dizendo que: 10% de todo aprendizado se dá de maneira tradicional (recebendo conhecimento), 20% ocorre através das trocas, nos relacionamentos, e 70% é no dia a dia, na prática das nossas atividades.


A possibilidade de perceber o aprendizado em todos os lugares, o desenvolvimento, assim como o ser humano, não tem botão de liga e desliga, ainda bem! Isso quer dizer que a capacidade de aprender está expandida em nossa vida como um todo. Criar discernimento, potencializar foco, fazer a gestão do essencial, elevar a maturidade, tudo isso nos ajuda a nos manter voltados para a nossa qualidade de presença, aonde quer que estejamos, no trabalho ou em casa. Ou seja, perceber que o que aprendo de um lado pode servir para tantas outras questões da vida, pode manter as pessoas sedentas pela evolução constante.



Cada vez mais, compreendemos que com o crescimento exponencial da tecnologia, ocupando os espaços operacionais no meio do trabalho, será necessário desenvolver as Soft Skills, as características comportamentais. O relatório da "Future Work Skills 2020" produzido pela Universidade do Arizona, contempla algumas, que compartilho aqui, como a inteligência social, que diz respeito a de que maneira o que eu faço, impacta no outro. O pensamento adaptativo, ou seja, como recebo as mudanças e as transformo em oportunidades. A transdisciplinaridade, que é a capacidade de enxergar na pluralidade a possibilidade de encontrar alternativas válidas e eficazes. E ainda, a competência transcultural, ou seja, é a capacidade para o livre trânsito entre os diferentes meios.


É bem possível e muito provável, que numa empresa há pessoas que já viveram, experienciaram, tiveram acertos ou erros em relação às competências acima, e outras tantas.

E segundo Edgar Dale, na Pirâmide de Aprendizagem, 90% do que aprendemos é potencializado quando estamos ensinando alguém, quem sabe as possibilidades de aprendizado estão muito mais próximas do que podemos imaginar, no especialista que está em algum lugar da empresa, ou no colega que senta ao lado.



Por fim, não menos importante, temos que falar da cultura, do que acontece na mesa do escritório, nos corredores, na cozinha e na hora do café. Por exemplo, proporcionar um desenvolvimento orientado para inovação, e por outro lado não oferecer autonomia aos colaboradores, supervalorizar a conformidade, não estimular a conexão entre as áreas e não fortalecer a segurança psicológica, fará com que, muito provavelmente, o desenvolvimento se torne ineficaz. Há um termo usado nestes casos, o "Workplace learning", ou seja o aprendizado no local de trabalho, e que não se refere somente às ferramentas disponíveis, ou aos procedimentos a serem aplicados, mas à todas as forças propulsoras ou restritivas que alavancam ou impedem que as pessoas queiram e se permitam evoluir.


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