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  • Malu Leitão

Des-Culpa: O termômetro do erro na cultura organizacional



Converso com lideranças de estágios e segmentos variados e casualmente (ou não), na semana que passou, escutei de dois deles a seguinte frase: “prefiro que peçam desculpas do que peçam licença”. Se referiam aos liderados diante de um erro cometido.


Dois líderes de empresas diferentes, que até onde sei não se conhecem, não convivem, usaram exatamente a mesma frase em reunião! Não acredito que por casualidade, pois é um dizer bem aderente às políticas comportamentais de incentivo à pro atividade, intraempreendedorismo, empoderamento. A frase em si não me chamou atenção, o que chamou atenção foi a sincronicidade de ouvi-las ipsis litteris em uma mesma semana de duas organizações distintas.


Ambos os interlocutores são líderes exemplares, que eu admiro profundamente, não somente pelos resultados que entregam, mas principalmente pelas relações que nutrem, mas meu pensamento foi além.



E se, diante de um erro cometido, o profissional não precisasse se desculpar? E se o ambiente fosse seguro o suficiente para que erros provenientes de iniciativas propositivas responsáveis, fosse motivo de honra? O mindset seria mais ou menos esse: tentei de forma responsável, errei, mas, gerei histórico de aprendizado para um acerto futuro. Logo, entreguei.


Entendendo que o contexto seja motivar os profissionais à execução, mas penso que a palavra “desculpas” não combina com a atmosfera de confiança necessária para o sujeito comprar o risco do erro. Peço desculpas quando faço algo que lesa. Se a cultura permite que eu arrisque também deve permitir que eventualmente eu falhe, essa é a lógica, mas nem sempre é a realidade. Muito tem se comentado sobre implantar uma “cultura do erro”, expressão que eu, particularmente acho detestável, prefiro cultura de aprendizado, cultura da experimentação. Mas vejo, na maioria das vezes o discurso ficar no nível do incentivo, mas não da segurança. Existe o discurso, mas os pressupostos básicos da cultura não garantem que sujeito saia tranquilo de uma reunião para colocar em experimentação todos os seus projetos. Logo, não parte para a ação.



Minha intenção aqui não é, evidentemente, incentivar cagadas irresponsáveis, mas sim provocar sobre o quanto ainda podemos aprofundar nas nossas pautas sobre cultura de confiança. Sobre o quanto, mesmo abertos a aceitar o imprevisto, ainda o vemos com a frustração de quem precisa se retratar. Se é permitido, logo não devo me desculpar, talvez esse seja um termômetro interessante de usar nas nossas empresas.


Quanta culpa, eu devo des-culpar, por uma iniciativa responsável que teve um final frustrado?

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