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  • francielledc

Autoconhecimento ou “conheçam-me" por mim?



"Eu tenho ou não tenho perfil para isso ou aquilo”?

Diante dessa fala fico pensando como os levantamentos de perfil e avaliações psicológicas que temos disponíveis são relevantes e auxiliam no processo de autoconhecimento. Ajudam, mas não extinguem o papel individual de cada um neste processo. Afinal, eu quero me autoconhecer? Ou, quero que “conheçam-me" por mim?


Digo isso, pois acredito que autoconhecimento tem mais relação com autorreflexão, auto-observação e autoconsciência do que somente uma percepção externa. Mas, me dar conta de um comportamento, talvez seja muito mais comprometedor do que escutar do outro. Quando me dizem que sou agressivo por exemplo, fica na fala do outro e, há um abismo entre escutar de mim e fazer sentido o que vem de fora. Será que realmente queremos conhecer as nossas sombras?



Todos os dias, todas as ações, decisões, escolhas, e até os nossos enganos, são um convite para nos conhecermos, no entanto, precisamos estar realmente atentos a estes sinais e não fugir deles ou apenas utilizar justificativas superficiais que não nos revelam, apenas nos conformam e nos afugentam de nós mesmos.


Vivemos tempos líquidos, voláteis, que nos impulsionam a buscar a resolução dos nossos problemas do lado de fora. No livro “Mulheres que correm com lobos” de Clarissa Pinkola Estés, há um conto bastante relevante sobre ouvir a voz interna. A autora conta sobre uma menina chamada Vasalisa, que perdeu a mãe, esta que no leito de morte deixa uma bonequinha para a sua filha, lembrando-a: “Carregue sempre essa bonequinha contigo, quando você tiver dúvida de como prosseguir, pergunte à ela”.


De fato, essa bonequinha não iria responder, por ser inanimada, mas o que a mãe estava ensinando a filha era que ela pudesse ouvir a si mesma. O quanto nós buscamos ouvir a nós mesmos? E mais, acolhemos e consideramos o que ouvimos? Empreender uma viagem em si, é talvez se deparar com lugares obscuros, com aquela pessoa que nem sempre é agradável encontrar ou quem sabe se deparar com alguém muito melhor, estes acredito, são os maiores riscos desta busca.



Quais são meu medos, minhas inseguranças? O que me deixa em estado de flow, de conexão profunda e verdadeira? Quando me sinto bem? Estou baseando as minhas ações nas minhas escolhas ou nas escolhas do outro? Autoconhecer-se não é encontrar a solução para os problemas, mas é um início para compreender como e porque lido com as situações de uma forma ou outra.


Você tem observado as suas reações? Elas dizem respeito exatamente ao sentimento que está em você naquele momento? Ou este sentimento está mascarado? A partir do momento que eu consigo identificar meus pensamentos, sentimentos, emoções, ações e reações, eu passo a me autorresponsabilizar por eles. Não, não acredito que isso deva ser um fardo que nos coloca como solitários nesse mergulho em si, trazendo o sentimento de culpa, mas nos dá a sensação que podemos sim tomar a direção que quisermos.



Quais os sinais que o meu corpo tem dado? A natureza é tão sábia, que o que não conseguimos manifestar através da fala, se manifesta no nosso corpo. E ainda estamos esperando que alguém nos diga quem somos e o que precisamos fazer? Sim, claro que temos casos que é necessário o auxílio de um profissional da área. Mas, autoconhecimento, pode começar agora, por você mesmo.


Porém, não se apresse, o autoconhecimento começa agora e não termina amanhã. É um processo com início, meio e sem fim. O mundo muda, nós mudamos e vamos fazendo novas descobertas sobre nós mesmos. Porque me aproximo de determinadas pessoas? Porque trabalho onde trabalho? Talvez não seja o destino que tenha se encarregado de nos colocar onde estamos, mas sim nossas escolhas, guiadas pelo que acreditamos, pela história que carregamos e por quem somos.


Se autoconhecer, acredito que não pode ser só o esforço para a mudança, mas também é para saber seus limites e olhá-los com carinho, cuidado e afeto. É também reconhecer os avanços que já tivemos, contemplar as descobertas, conhecer-se para evoluir, mas também vibrar com os ganhos e orgulhar-se de si.


Será que somos capazes de estabelecer uma relação de intimidade com a gente mesmo?

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